
Ando vendo tudo aos pedaços, diante da impossibilidade de capturar o todo...
Nem sempre basta.

Tentando fazer o primeiro...
Eu vou encantar
milhares de corações
Quando eu ali passar
No idea
Me dá uma idéia
Pra eu escrever pra você
Te fazer platéia
Minha presa
Não, meu bem, não saia
Se fugir vou te pegar
Te fazer cobaia
Silêncio :D
Ausência de Som
Eu penetro no vazio
Me disseram que é bom
Francês
Comment tu t'apelle?
Je veux connaître ton nom
Ta existence es belle...
Mãe
Eu te sinto forte
mesmo que tu estejas morta
Ainda és meu norte
Rárárá
Vou dizer pro pai
que agora mesmo aprendi
A fazer haikai

Ontem, antes de dormir, sentei na cama com minhas lembranças. Minhas lembranças cheias de poeira, resistindo ao tempo. Minhas lembranças que em arrumação, separei do lado das que eu não queria jogar fora. Ontem me sentei para ser só delas, e sabia que iria chorar...
Reli bilhetes de paqueras que me fizeram rir e cartas de amores passados eternos que me encheram os olhos d´água. Mexeram mais comigo do que quando as recebi, fazem pensar na efemeridade das mais belas coisas. Por exemplo, o amor. Será o amor uma rosa, que é belo enquanto dura e cheira mais forte quando murcha? “As flores tem cheiro de morte e a dor vai fechar esses cortes”.
Encontrei uma receita de óculos de há menos de um ano atrás, e já faz tempo que acho que tenho que aumentar tanto este grau. Estou ficando cega, sim, estou ficando ceguinha. E não é bom ver embaçado o rosto de quem acena pra você na rua.
Uma redação feita em conjunto, em exercício criativo, por amigas da faculdade que seguiram seu rumo; e no parágrafo de cada uma sobre uma história boba está implícito explicitamente seu modo de ser...
Ô Nostalgia! E o que vejo agora são os “santinhos; do vizinho que me paquerou, o da mãe da minha amiga Giovana...como eu sinto como ela. Sinto?Ah, mas há sim uma irmandade nesta orfandade...
Uma carta do meu segundo irmão, não assinada, pra nossa mãe depois de morta. Sim, uma surpresa, uma surpresa! Ele, sempre tão calado, tão alheio...ele sentiu, ele é bom. Ora, ora... “um dia verei você de novo mãe, aí nesse dia vou lhe abraçar, beijar, brincar até a eternidade. Te amo!” . Eu também mãe, eu também.
Eu sou um grito de socorro...
Não, minha mente não pode parar,
Se se aquieta eu me surdo
Porque eu sou um grito de socorro
Eu fui uma adolescente de 15 anos num convite de aniversário, de boné azul pra trás, jeans e tênis. Me achava tão bonita, tão rebelde! O meu nariz era do mesmo tamanho...o que se fez de mim? Uma dedicat´ria tão maravilhosamente linda eu leio que me fizeram, e na minha festa eu fiquei encabulada. Nove anos atrás eu queria fugir, por pensar estar “pagando mico”. Porque só é depois que estou vendo a beleza de tudo...
Pare de me amar só quando estou dormindo e me olhe de uma vez nos olhos à luz do mundo. O som da TV é alto e me incomoda.
E as fotografias, as fotografias, as fotografias...Eu preguei mais lembranças na porta do guarda-roupa.
Acordei pedindo pra que você não me deixasse, não me deixasse mais dormir. E você só me diz que foi só um sonho. Eu ofegava e você reduz minha irrealidade a uma questão de eu saber controla-la ou não. Eu te peço que me ensine; e a gente combina sonhar o mesmo sonho e controla-lo da mesma forma, na mesma noite, na mesma cama, depois daquela hora. E a gente vai sonhar junto, só pra ver o que acontece.
Atualmente, a internet, os equipamentos digitais e a facilidade de acesso aos filmes e programas de edição causam uma crise de sentido no que seria o cinema. Cinema é um filme produzido em película? Ou vale se for digital transmitido por satélite? Cinema é um filme que experimento numa sala comercial escura comendo pipoca junto com desconhecidos? Cinema é o filme que ainda nem estreou nas salas, mas que eu já “baixei” da internet e vi? É o DVD pirata ou não que eu comprei e que me permite desconstruir o filme, ver o segredos de produção, desmagificar as mágicas? É o filme que eu produzi com minha câmera na mão a partir de uma idéia que tive com uns amigos e joguei lá no youtube ou inscrevi num festival? Onde antes existia uma certeza e uma convenção, um costume e uma paixão, agora existem possibilidades e dúvidas de definição, pois essa afetação das imagens, das narrativas, da metalinguagem filma, gera uma plasticidade diferente, uma interatividade outra. Para mim, cinema é uma criação filmíca que permite estabelecer contato, relação com o(s) outro(s). Como arte, há o criador, que tão logo se torna espectador de sua obra, e os espectadores que recebem este sentimento, esta idéia, que são afetados por ela. Portanto, a meu ver, o cinema está dentro de cada uma das questões acima. Sim, há as questões comerciais, modificações na forma de consumo, e a necessidade de adaptação ás novidades que geram transformações e que surgem a toda hora, mas a essência é essa. Apesar da quebra paradigmática, melhor dizendo, incrementado e desafiado por esta quebra, o espetáculo continua.
Ela disse:
_ Não, eu não quero que você goste de mim porque eu sou a única mulher que você tem. Quero que você sinta que pode ter outras, todas a mulheres, e mesmo assim esteja comigo porque escolheu; porque me quis e eu te quis e continuamos nos querendo.
_ Mas é exatamente isso!
_ Então, porque eu não sinto?
Ele deu um suspiro indignado acompanhando de um sorriso, ao mesmo tempo em que levantava os ombros e balançava a cabeça. E a olhou tentando compreender. Não sabia por que ela não sentia. Não sabia por que tinha dias em que ela estava impossivelmente carente, insegura, cheia de questões, tentando encaixar o amor deles em alguma teoria. Ele a amava, ah, como amava. E a olhou mais nos olhos desamparados que já continham o brilho de uma lágrima. Teve o ímpeto de tomá-la nos braços, e carinhá-la tanto, e beijá-la tanto; que qualquer fantasma seu não suportasse tanto afeto e fosse embora pra nunca mais. Mas não fez isso. Não, pois ele queria que ela se tornasse uma forte. Uma mulher forte e segura. Tinha como objetivo tirar dela o que a diminuía, principalmente quando era fruto de uma ilusão maléfica e desnecessária. Jamais negaria apoio e perdões se ela tivesse razão. Porém naquela hora não, por mais que olhinhos dela pedissem.
_ Você não se importa nem quando eu choro.
_ Mas você não tem porque chorar agora, ô meu Deus! Olha..._ disse ele enquanto levantava de leve seu queixo_ Porque você está aqui agora?
_ Porque eu te amo.
_Certo. E porque eu estou?
_Porque você me ama.
_Certo. Porque é assim que tem que ser. Porque temos muita sorte de amarmos um ao outro e podermos estar juntos. Não entendo porque você diz que não sente se você sabe!
Ela engoliu cuspe que tinha na boca, mordeu os lábios e o encarou. Não tinha coragem de lhe dizer que tudo que ela queria agora era que ele a abraçasse, que fizesse carinhos e a beijasse até não ser mais preciso falar coisa alguma, até o amor que ela sabia que ele sentia penetrasse sua pele como calor, um calor que conforta. Considerava um pedido desses uma humilhação, uma súplica. Se ela o fizesse ele a acharia uma fraca, e ela não era uma mulher fraca, só não tava num dia muito bom. Continuou a olhá-lo tentando transmitir sua ânsia através do olhar. Mal sabia que ele já havia percebido e preferido passar por insensível para fazê-la crescer.
_ Você me olha como quem guarda um segredo, menina.
Ela sorriu dando-se conta que tinha um eu te amo com aprendizado de brinde vindo daquela frase. Só então ele a abraçou, a carinhou e etc, etc, etc.
"Era uma vez uma mulher. Ela havia feito alguma coisa que seu pai desaprovara. Nem ela mesma sabia do que se tratava e ele a lançara impiedosamente no mar. Os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos e ela ficou lá pobre esqueleto a rolar com as correntes. Um dia um pescador solitário veio pescar naquela baía. Seu anzol foi descendo e descendo e ele encontrou algo. Deve ser um grande peixe, ele pensou. De fato era tão grande o peso daquilo que ele pensava ser um peixe que quando mais ele lutava mais aquilo se enredava na linha da rede que ele lançara ao mar. De repente ele se voltou para olhar a rede e deparou-se com aquele esqueleto, horrível. Ele a soltou do barco sem reparar que estava presa e remou, remou, desesperadamente para terra. Ao descer do barco ele verificou que aquela terrível coisa o acompanhara. Ele corria para casa e o esqueleto vinha atrás dele, ele gritava e ela o acompanhava, o tempo todo ali, enredada na vara de pescar. Finalmente ele chegou a seu iglu e atirou-se no chão, sentindo-se finalmente seguro. Então, ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia e ela estava ali, jogada, amontoada num canto, um calcanhar sobre um ombro, um joelho preso nas costelas. Ele teve novamente medo, mas algo lhe aconteceu. Talvez fosse a expressão do esqueleto, se é que podem ter expressão. Talvez fosse a solidão em seu peito. O certo é que ele teve compaixão daquele ser e lentamente começou a desenredá-la. E cantava, cantava. Depois ele a cobriu com ternura. E ela pensava o tempo todo que queria ficar ali, aquecida, cuidada como jamais o fora. O homem teve sono e dormiu e enquanto dormia uma lágrima correu de seus olhos, talvez provocada pela compaixão, talvez provocada pelo coração finalmente pleno. A mulher-esqueleto viu a lágrima e aproximou-se, e bebeu a lágrima e quanto mais bebia, mais lágrimas saíam. Ela saciou sua sede de anos. Ela estendeu a mão e retirou de dentro do peito do homem seu coração. Ela começou a batucar nele pedindo por carne. Tum, Tum, carne, carne ela cantava em voz alta. E seu corpo miraculosamente se enchia de carne. Quando finalmente recobrou seu corpo ela devolveu o tambor ao homem e deitou-se a seu lado. Pela manhã eles acordaram juntos e abraçados e não separaram mais."
Este é um conto do povo Inuit - tribo do Canadá - de rara beleza que fala do maravilhoso sentimento da compaixão, compaixão que pode preencher o coração do pescador solitário e devolver a vida a uma mulher abandonada pelo pai à própria sorte. Fala da capacidade de olhar para elementos estranhos vindos do inconsciente - das profundezas do mar - através do amor. Amor pelo que não é tão bonito em nós, amor pelo que não é tão bonito nos outros.
Associamos o conto aos florais do grupo da solidão para pessoas que ficam isoladas: Impatiens, Heather e Water Violet que nos falam, em desarmonia, da incapacidade de olharmos para os outros com olhos regidos pelo coração. Em Impatiens porque estamos preocupados demais com a lerdeza do outro, temos pressa, muita pressa, não teríamos paciência para desenredar o pobre esqueleto! Em Heather porque queremos apenas falar de nós, porque não queremos ficar sozinhos, porque temos um buraco dentro de nós mesmos que não sabemos preencher, porque estaríamos preocupados com nosso próprio sofrimento e jamais com a pobre mulher-esqueleto! Em Water Violet porque não sabemos nos doar e nos distanciamos das pessoas, jamais compartilharíamos de nosso coração e de nossas lágrimas com outro ser! Em harmonia, porém, encontraríamos alguém com quem compartilhar nossa vida, uma mulher-amante, companheira para sempre. Encontraríamos alguém para que, batendo em cadência, as mínimas batidas de nosso tambor-coração se transformassem em louvor ao nosso irmão e a nós mesmos.
Mariza HelenaRibeiro Facci Ruiz
Practitioner pela Dr. Edward Bach Foundation
Fonte: http://www.jperegrino.com.br/Florais/mulher_esqueleto_e_a_solidao.htm
Não preciso me enxugar ao sair do banho se estiver com calor. E não há nada demais em sentar de frente ao ventilador, por mais que me digam o contrário. Sei o que me agrada. Sei que me desagrada a percepção de coisas nascentes, ainda tênues, ainda tão sutis. Sexto sentido feminino? Não me importo. Pra você pode ser mérito. Mas eu, eu não gosto de saber ver tanto e ser condenada a sentir antes do tempo. Bom ou ruim, que seja a seu tempo. Ou continuará a me acompanhar aquela incômoda sensação de descompasso com o mundo. Mundo devagar! De vagar depois de mim.