sexta-feira, setembro 28, 2007
Nua e Crua
_ Quero me despir de toda essa fragilidade: refúgio confortável que vem me distanciando de mim mesma, que me trai e me derrama em qualquer lugar sem se importar. E o mundo torna-se olhos curiosos que me fitam, hesitam e se fecham para não se envolver. É perigoso compadecer-se, envolve crise existencial e perda de tempo. E é o que clama essa fragilidade inútil: tenham pena de mim. Eu vou rasgar tal fragilidade com crueldade. Nua e crua vou descobrir quem sou. Doce ilusão.
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Doce ilusão?
sexta-feira, setembro 14, 2007
Amacenhe
As nuvens espaçadas parecem correr para o lado de lá
E eu existo aqui na frente do computador
Eu resisto acordada desde a madrugada
Absorvendo a luz do monitor
cravada na cadeira
Querendo ser nuvem fluida
arrastada sem parar
reclamando dos pássaros
no decurso do passear
Eu sou cheiros bons e ruins que se mesclam
e me deixam inconfundível
Aqui
Me torno insuportável
Pretendo ser indistingüível
Ainda não sei voar de perto
Nem cheirar menos
Sequer esqueçer
E o poema sente uma falta enorme
das coisas que eu não consigo esquecer
nem escrever
sexta-feira, agosto 31, 2007
sábado, agosto 25, 2007
Um significante em busca de um significado
quinta-feira, agosto 09, 2007
É assim que eu digo "muito obrigada".
quarta-feira, agosto 01, 2007
Das implicações dos atos e das palavras

A vida é mesmo uma afirmação? Um seqüência infinita de "sins" que vão nos permitindo fazer as coisas? O não é uma barreira imposta pelas pessoas, e não pela vida, segundo um amigo meu. Isso pode ser ótimo em certas situações, como quando queremos fazer uma exposição fotográfica e somos recebidos sucessivamente de forma positiva pelos parceiros procurados. " Aos extremos" está aí, e teve locação, patrocínio, comes e bebes para o lançamento, divulgação e boa aceitação. E isso me deixa, sim, muito feliz.
Mas será sempre tão simples assim lidar com os "sins" da vida? Mesmo que o sim esteja permeando o mundo, o mundo é habitado por pessoas, e estas são seres de escolhas por vezes angustiantes. É, consideremos as escolhas. Não são elas as afirmações das negações? Não são uma forma de dizer um sim negando a tudo o que ficou de fora? De que adianta um alfabeto me sorrindo com "sins", se, caso eu escolha o amoroso "a" , deixo de fora o formoso "f" e o magnífico "m"?
Sim , eu gosto que me aceitem; mas as vezes seria mais generoso me oferecer um nobre não. Porque, deslumbrada como sou, vivo me vendo em labirintos e não há aula de psicologia que me ajude a compreender as dissonâncias cognitivas como situações passageiras. E, se por acaso, digo "sins" demais tentando seguir a natureza que me guia; depois cai sobre mim uma culpa cristã me fazendo sentir pior do que Hitler deveria ter se sentindo diante do holocausto judeu.
Lógico que era evitável, mas no momento não quis dizer não porque não havia no mundo nada mais puro. Se me comove e me emociona, por que deixaria de dançar a música? Mas existe muita gente e consciência pra me chamar inconseqüente. Então o amor que deveria ser, não é todo positividade. Então o amor que em essência é límpido sim, é maculado e machucado com não muito mais do que com qualquer traição.
...é como ser flor tirada do bueiro...
sexta-feira, julho 13, 2007
De madrugada

Já quase amanhece e eu não durmo. Eu durmo na hora errada. Durmo na hora em que assisto um filme do qual estou gostando. Tem gente me esperando, mas hoje houve desentendimento seguido de incompreenção minha. E me resta um vontade de voltar, só que o orgulho entalado em minha garganta não desce nem com água. Avalie com saliva. Cuspe. Tudo que é líquido se reverte em água nos olhos, e só quer isso de mim. Um choro. Mas hoje não estou de dar o que querem; então olho pro meu reflexo na tela como pra um covarde e o transformo em outra coisa. Que não chora por fora.
Ah, mas a lógica do orgulho é estranha: Eu quero algo. Você não quer me dá. Eu me aborreço. Você se arrepende. Você _ agora_quer me dar. Eu não quero mais.
Todos perdem...e eu aprendi com alguém que tem a metade do meu tempo e um sangue similar. Por convenção, irmão.
terça-feira, julho 10, 2007
1, 2 , 3 versos.
comércio
exército
do capital
Se a palavra é palavra
lava a palavra
antes de levá-la
da boca aos ouvidos
Se a palavra é seios
Meus seios são
olhos cheios de tesão
acima do coração
... e eu adoro essa brincadeira. :)
sábado, junho 23, 2007
Outra forma de ser
quarta-feira, junho 13, 2007
Verso Livre
breve em brasa
de rasa profundidade
.
.
.
dizem por aí
que não amadureço
pra essa minha idade
mas quem se importa?
eu que sei quem serei
quando abrir a porta
negações serão negadas
quando minha secreta profecia
ousar-se materializada
quinta-feira, junho 07, 2007
Presentes
quinta-feira, maio 24, 2007
terça-feira, maio 15, 2007
Vem de dentro...
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Nem numa gota de tempo escorre
Quando mais preciso desse choro
Mas, só por paradoxo,
Não pára de jorrar quando deve congelar
Naquele exato momento que estou de bem comigo
quinta-feira, maio 10, 2007
Historinha da Borboleta
Era uma vez uma lagartinha da floresta que vivia sonhando com o dia em que viraria borboleta. Tudo que ela queria era poder voar e ver de cima toda a beleza do mundo. Chegou o dia de ir para o casulo, e ela foi com muito prazer, pro seu momento de transformação. Passaram-se uns dias, e ela lá dentro, esperando, imaginando a linda e voadora borboleta que seria. Até que chegou a hora de sair; e ela, ansiosa, saiu. Só que ela tava tão aperreada que acabou se atrapalhando e deixando uma das asinhas presas no casulo. Quando ela tentou puxar... rasgou a asa...Ai Meu Deus!Como ficou triste a nossa borboletinha! Ela tentou até voar, mas com uma só asa era impossível. Então ela começou a rastejar, como fazia quando ainda era lagarta. Seu sonho era que tinha ido pro espaço. Mas um belo dia, um passarinho, ao ver aquela linda borboleta andando no chão, acha estranho e se aproxima. Quando ele ta bem pertinho, percebe que ela ta tão triste, tão triste, tão trisque que até chora. E pergunta: “O que houve linda borboleta, porque você chora?” “Porque minha asa ta quebrada, não consigo voar...snif” “ Ah, então é por isso que você está aí no chão?! Olhe, pois trate de se alegrar, ô linda borboleta, que eu tenho a solução pro seu caso!”. O passarinho colocou a borboleta em uma de suas asas e levou-a até a coruja, o bicho mais sábio da floresta. A coruja, depois de ouvir a história, falou pra borboletinha que ela deveria ter sido mais cuidadosa; mas que ia sim ajudá-la, porque todo mundo merece uma segunda chance. Preparou um remedinho de ervas e passou bem no local onde a asa da borboleta tinha se partido. Imediatamente, a asinha ferida se recompôs. Ela mal podia acreditar! Ia voar!!! Bom, antes de sair pelos céus, a borboletinha agradeceu ao passarinho e à coruja pelo enorme bem que eles tinham lhe feito. Depois, de olhos fechados, saltou do galho alto em que estavam e só os abriu quando sentiu que estava pairando no céu, vendo de cima toda a beleza do mundo!
segunda-feira, abril 23, 2007
Haikais

Tentando fazer o primeiro...
Eu vou encantar
milhares de corações
Quando eu ali passar
No idea
Me dá uma idéia
Pra eu escrever pra você
Te fazer platéia
Minha presa
Não, meu bem, não saia
Se fugir vou te pegar
Te fazer cobaia
Silêncio :D
Ausência de Som
Eu penetro no vazio
Me disseram que é bom
Francês
Comment tu t'apelle?
Je veux connaître ton nom
Ta existence es belle...
Mãe
Eu te sinto forte
mesmo que tu estejas morta
Ainda és meu norte
Rárárá
Vou dizer pro pai
que agora mesmo aprendi
A fazer haikai
terça-feira, abril 17, 2007
Diário de Três - Curta Metragem

Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=UC3MD6zqWV0
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=Jd9T1fDYKls
Aconteceu assim...
Tudo começou quando eu cheguei pra Andrea e disse que estava caçando idéias para produzir um filme pro Cineceará, então, ela , por favor, se tivesse uma... .... .... No dia seguinte ela me chegou com uma. Uma conversa de fazer um fime sobre três amigas que escreviam diário e... E sentamos pra definir as reticências, pra escrever o roteiro, pra planejar a parte operacional, enfim. Tivemos que bater perna, comprar coisas, arranjar outras. Contar com os amigos foi fundamental. Foi indispensável que eles ouvissem nosso clamor, acatassem nosso aperreio, suportassem com humor nosso amadorismo e empolgação infantil de produzir o primeiro filme. Mais uma vez e para sempre, agradecimentos a todos. No mais é dizer que o roteiro é uma coisa e o filme é outra que tem uma rara semelhança; o roteiro foi uma linha inspiradora de sentido, porque na nossa imaginação tudo é bem mais iluminado e possível do que quando nos deparamos com as limitações técnicas dos equipamentos e softwares que tinhamos disponíveis. Mas, apesar de trabalhoso, é muito mais gostoso fazer um filme; tanto quanto é bom realizar coisas nas quais se mobilizam diversas pessoas de diferentes vértices em torno de um objetivo comum, e de graça. Um suspiro satisfeito.
quinta-feira, abril 12, 2007
Arrumando as coisas
Ontem, antes de dormir, sentei na cama com minhas lembranças. Minhas lembranças cheias de poeira, resistindo ao tempo. Minhas lembranças que em arrumação, separei do lado das que eu não queria jogar fora. Ontem me sentei para ser só delas, e sabia que iria chorar...
Reli bilhetes de paqueras que me fizeram rir e cartas de amores passados eternos que me encheram os olhos d´água. Mexeram mais comigo do que quando as recebi, fazem pensar na efemeridade das mais belas coisas. Por exemplo, o amor. Será o amor uma rosa, que é belo enquanto dura e cheira mais forte quando murcha? “As flores tem cheiro de morte e a dor vai fechar esses cortes”.
Encontrei uma receita de óculos de há menos de um ano atrás, e já faz tempo que acho que tenho que aumentar tanto este grau. Estou ficando cega, sim, estou ficando ceguinha. E não é bom ver embaçado o rosto de quem acena pra você na rua.
Uma redação feita em conjunto, em exercício criativo, por amigas da faculdade que seguiram seu rumo; e no parágrafo de cada uma sobre uma história boba está implícito explicitamente seu modo de ser...
Ô Nostalgia! E o que vejo agora são os “santinhos; do vizinho que me paquerou, o da mãe da minha amiga Giovana...como eu sinto como ela. Sinto?Ah, mas há sim uma irmandade nesta orfandade...
Uma carta do meu segundo irmão, não assinada, pra nossa mãe depois de morta. Sim, uma surpresa, uma surpresa! Ele, sempre tão calado, tão alheio...ele sentiu, ele é bom. Ora, ora... “um dia verei você de novo mãe, aí nesse dia vou lhe abraçar, beijar, brincar até a eternidade. Te amo!” . Eu também mãe, eu também.
Eu sou um grito de socorro...
Não, minha mente não pode parar,
Se se aquieta eu me surdo
Porque eu sou um grito de socorro
Eu fui uma adolescente de 15 anos num convite de aniversário, de boné azul pra trás, jeans e tênis. Me achava tão bonita, tão rebelde! O meu nariz era do mesmo tamanho...o que se fez de mim? Uma dedicat´ria tão maravilhosamente linda eu leio que me fizeram, e na minha festa eu fiquei encabulada. Nove anos atrás eu queria fugir, por pensar estar “pagando mico”. Porque só é depois que estou vendo a beleza de tudo...
Pare de me amar só quando estou dormindo e me olhe de uma vez nos olhos à luz do mundo. O som da TV é alto e me incomoda.
E as fotografias, as fotografias, as fotografias...Eu preguei mais lembranças na porta do guarda-roupa.
domingo, abril 08, 2007
sábado, abril 07, 2007
Meu sonho de hoje
Acordei pedindo pra que você não me deixasse, não me deixasse mais dormir. E você só me diz que foi só um sonho. Eu ofegava e você reduz minha irrealidade a uma questão de eu saber controla-la ou não. Eu te peço que me ensine; e a gente combina sonhar o mesmo sonho e controla-lo da mesma forma, na mesma noite, na mesma cama, depois daquela hora. E a gente vai sonhar junto, só pra ver o que acontece.


