terça-feira, dezembro 18, 2007

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"A boca só fala do que o coração está cheio"
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Mas nem sempre quando se cala, o coração está vazio, ou manso, em paz. Se eu disse nem sempre, falei de esperança. Muito bom ano pra nós, muito bom ano pra recomerçarmos, e viva Carlos Drummond de Andrade!

“Recomeçar”


Não importa onde você parou... em que momento da vida você cansou...o que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar". Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...é renovar as esperanças na vida e o mais importante... acreditar em você de novo. Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado...

Chorou muito? Foi limpeza da alma... Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia... Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos...

Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora... Pois é...agora é hora de reiniciar...de pensar na luz...de encontrar prazer nas coisas simples de novo. Que tal um corte de cabelo arrojado... diferente? Roupas novas? Um novo curso... ou qualquer outra coisa. Olha quanto desafio...quanta coisa nova nesse mundo te esperando.

Ta se sentindo sozinho? besteira... tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para" chegar" perto de você. Quando nos trancamos na tristeza... ficamos horríveis... o mau humor vai comendo nosso fígado...até a boca fica amarga. Recomeçar...

Hoje é um bom dia para começar novos desafios. Onde você quer chegar? Vá alto... sonhe alto... queira o melhor do melhor... se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor... Só o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da faxina mental... joga fora tudo que te prende ao passado...ao mundinho de coisas tristes... fotos... peças de roupa, bilhetes de viagens... e toda aquela tranqueira que guardamos...jogue tudo fora... mas principalmente...esvazie seu coração...e fique pronto pra VIDA!

"Porque eu sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que os outros me enxergam".


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, setembro 28, 2007

Nua e Crua

Ela disse:

_ Quero me despir de toda essa fragilidade: refúgio confortável que vem me distanciando de mim mesma, que me trai e me derrama em qualquer lugar sem se importar. E o mundo torna-se olhos curiosos que me fitam, hesitam e se fecham para não se envolver. É perigoso compadecer-se, envolve crise existencial e perda de tempo. E é o que clama essa fragilidade inútil: tenham pena de mim. Eu vou rasgar tal fragilidade com crueldade. Nua e crua vou descobrir quem sou. Doce ilusão.
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Doce ilusão?

sexta-feira, setembro 14, 2007

Amacenhe

Uns pássaros desafinados pensam que cantam
As nuvens espaçadas parecem correr para o lado de lá
E eu existo aqui na frente do computador
Eu resisto acordada desde a madrugada
Absorvendo a luz do monitor
cravada na cadeira
Querendo ser nuvem fluida
arrastada sem parar
reclamando dos pássaros
no decurso do passear

Eu sou cheiros bons e ruins que se mesclam
e me deixam inconfundível
Aqui
Me torno insuportável
Pretendo ser indistingüível

Ainda não sei voar de perto
Nem cheirar menos
Sequer esqueçer
E o poema sente uma falta enorme
das coisas que eu não consigo esquecer
nem escrever

sábado, agosto 25, 2007

Um significante em busca de um significado

Suspensos. É o que somos. Seres com e entre nomes pairando num Universo com prentensão singular. Seres únicos e em extinção por não haver outra de mim, nem de você. Ainda assim, me sinto um clone da linguagem que uso e não criei. Linguagem que mantém meus pensamentos vivos, estes pensamentos entre aspas porque não são meus. Devo dar vivas à linguaguem que me dá sentido no mundo, mas o que eu sinto não tem nome. É inclompleto, é carente, é grandioso, presente e ausente...tem mil adjetivos, mas não tem nome. Nem quem invente. Por isso nesse escrito vou me indignar, e nem me preocupar se é entendível. Se eu não, porque então? E deixo me guiar por uma falta de freios do que é dizível enquanto ouço a sirene dos bombeiros lá fora, a vir apagr um incêndio na vizinhaça, onde pessoas estão preocupadas com coisas reais que queimam. Minha incapacidade expressiva me queima. Quem diz que eu também não morro como um papel em chamas? E na Tv uma comédia que só fala em sexo, e é boba porque não é Freud falando em escapar da dor e buscar o prazer. Mas para o cristianismo, não é através da dor terrena que chegaremos ao supremo prazer de estar no paraíso? Eu me perco nos conceitos,e só me lembro que pensar enlouquece, pense nisso. Sempre entre aspas.

quinta-feira, agosto 09, 2007

É assim que eu digo "muito obrigada".











Se eu pudesse eu fazia aniversário todo dia. Já não me importo mais se chamam isso de "ficar velha", com todas as manifestações de carinho recebidas me sinto renovar. Estou é mais moça. :)

Quero eu ir vivendo pra retribuir essas coisas do amor.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Das implicações dos atos e das palavras










A vida é mesmo uma afirmação? Um seqüência infinita de "sins" que vão nos permitindo fazer as coisas? O não é uma barreira imposta pelas pessoas, e não pela vida, segundo um amigo meu. Isso pode ser ótimo em certas situações, como quando queremos fazer uma exposição fotográfica e somos recebidos sucessivamente de forma positiva pelos parceiros procurados. " Aos extremos" está aí, e teve locação, patrocínio, comes e bebes para o lançamento, divulgação e boa aceitação. E isso me deixa, sim, muito feliz.

Mas será sempre tão simples assim lidar com os "sins" da vida? Mesmo que o sim esteja permeando o mundo, o mundo é habitado por pessoas, e estas são seres de escolhas por vezes angustiantes. É, consideremos as escolhas. Não são elas as afirmações das negações? Não são uma forma de dizer um sim negando a tudo o que ficou de fora? De que adianta um alfabeto me sorrindo com "sins", se, caso eu escolha o amoroso "a" , deixo de fora o formoso "f" e o magnífico "m"?

Sim , eu gosto que me aceitem; mas as vezes seria mais generoso me oferecer um nobre não. Porque, deslumbrada como sou, vivo me vendo em labirintos e não há aula de psicologia que me ajude a compreender as dissonâncias cognitivas como situações passageiras. E, se por acaso, digo "sins" demais tentando seguir a natureza que me guia; depois cai sobre mim uma culpa cristã me fazendo sentir pior do que Hitler deveria ter se sentindo diante do holocausto judeu.

Lógico que era evitável, mas no momento não quis dizer não porque não havia no mundo nada mais puro. Se me comove e me emociona, por que deixaria de dançar a música? Mas existe muita gente e consciência pra me chamar inconseqüente. Então o amor que deveria ser, não é todo positividade. Então o amor que em essência é límpido sim, é maculado e machucado com não muito mais do que com qualquer traição.


...é como ser flor tirada do bueiro...

sexta-feira, julho 13, 2007

De madrugada










Já quase amanhece e eu não durmo. Eu durmo na hora errada. Durmo na hora em que assisto um filme do qual estou gostando. Tem gente me esperando, mas hoje houve desentendimento seguido de incompreenção minha. E me resta um vontade de voltar, só que o orgulho entalado em minha garganta não desce nem com água. Avalie com saliva. Cuspe. Tudo que é líquido se reverte em água nos olhos, e só quer isso de mim. Um choro. Mas hoje não estou de dar o que querem; então olho pro meu reflexo na tela como pra um covarde e o transformo em outra coisa. Que não chora por fora.


Ah, mas a lógica do orgulho é estranha: Eu quero algo. Você não quer me dá. Eu me aborreço. Você se arrepende. Você _ agora_quer me dar. Eu não quero mais.


Todos perdem...e eu aprendi com alguém que tem a metade do meu tempo e um sangue similar. Por convenção, irmão.

terça-feira, julho 10, 2007

1, 2 , 3 versos.

Se a palavra é comério

comércio
exército
do capital

Se a palavra é palavra

lava a palavra
antes de levá-la
da boca aos ouvidos

Se a palavra é seios

Meus seios são
olhos cheios de tesão
acima do coração


... e eu adoro essa brincadeira. :)

sábado, junho 23, 2007

Outra forma de ser

Não é de hoje essa vontade de encarnar na pele alheia. Nada de espiritismo nem experiências do gênero, mas quero poder não ser eu às vezes. Como ele sente, como você lê, como ela vê isso tudo que nos cercas? São perguntas que eu só posso fazer e não responder. Por mais que seja mil em uma, por mais que exarcebe, que mude, que insita nisso, que desista daquila, que reveja escolhas, que pinte o cabelo ou atue...sou ainda eu em meio a minhas diferenças "ginianas" fazendo isso. Não é como ser Jonh Malkovich.

quarta-feira, junho 13, 2007

Verso Livre

suspiro de amor
breve em brasa
de rasa profundidade

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dizem por aí
que não amadureço
pra essa minha idade

mas quem se importa?
eu que sei quem serei
quando abrir a porta

negações serão negadas
quando minha secreta profecia
ousar-se materializada

quinta-feira, junho 07, 2007

Presentes











Os amores que tenho em mim são pra vocês; e são tão imensamente coloridos que só me resta subtrair aqui as cores, para que possam imaginá-los em suas mais pontentes e mágicas formas. Não há beleza maior em outros olhos, que não nesses que preenchem os meus dias.

quinta-feira, maio 24, 2007

Recortes do Real




Ando vendo tudo aos pedaços, diante da impossibilidade de capturar o todo...

Nem sempre basta.

terça-feira, maio 15, 2007

Vem de dentro...

É que às vezes eu queria ser invisível pra poder observar as pessoas sem constrangê-las, ou sequer modificar-lhes a expressão devido a minha presença. E outras vezes eu queria existir mais, existir tanto, me impor sobre outros justamente pra saber que tipo de reação provoco. E contentar-me baixinho, lá dentro.

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Nem numa gota de tempo escorre
Quando mais preciso desse choro
Mas, só por paradoxo,
Não pára de jorrar quando deve congelar
Naquele exato momento que estou de bem comigo

quinta-feira, maio 10, 2007

Historinha da Borboleta

Era uma vez uma lagartinha da floresta que vivia sonhando com o dia em que viraria borboleta. Tudo que ela queria era poder voar e ver de cima toda a beleza do mundo. Chegou o dia de ir para o casulo, e ela foi com muito prazer, pro seu momento de transformação. Passaram-se uns dias, e ela lá dentro, esperando, imaginando a linda e voadora borboleta que seria. Até que chegou a hora de sair; e ela, ansiosa, saiu. Só que ela tava tão aperreada que acabou se atrapalhando e deixando uma das asinhas presas no casulo. Quando ela tentou puxar... rasgou a asa...Ai Meu Deus!Como ficou triste a nossa borboletinha! Ela tentou até voar, mas com uma só asa era impossível. Então ela começou a rastejar, como fazia quando ainda era lagarta. Seu sonho era que tinha ido pro espaço. Mas um belo dia, um passarinho, ao ver aquela linda borboleta andando no chão, acha estranho e se aproxima. Quando ele ta bem pertinho, percebe que ela ta tão triste, tão triste, tão trisque que até chora. E pergunta: “O que houve linda borboleta, porque você chora?” “Porque minha asa ta quebrada, não consigo voar...snif” “ Ah, então é por isso que você está aí no chão?! Olhe, pois trate de se alegrar, ô linda borboleta, que eu tenho a solução pro seu caso!”. O passarinho colocou a borboleta em uma de suas asas e levou-a até a coruja, o bicho mais sábio da floresta. A coruja, depois de ouvir a história, falou pra borboletinha que ela deveria ter sido mais cuidadosa; mas que ia sim ajudá-la, porque todo mundo merece uma segunda chance. Preparou um remedinho de ervas e passou bem no local onde a asa da borboleta tinha se partido. Imediatamente, a asinha ferida se recompôs. Ela mal podia acreditar! Ia voar!!! Bom, antes de sair pelos céus, a borboletinha agradeceu ao passarinho e à coruja pelo enorme bem que eles tinham lhe feito. Depois, de olhos fechados, saltou do galho alto em que estavam e só os abriu quando sentiu que estava pairando no céu, vendo de cima toda a beleza do mundo!

segunda-feira, abril 23, 2007

Haikais





Tentando fazer o primeiro...
Eu vou encantar
milhares de corações
Quando eu ali passar

No idea
Me dá uma idéia
Pra eu escrever pra você
Te fazer platéia

Minha presa
Não, meu bem, não saia
Se fugir vou te pegar
Te fazer cobaia

Silêncio :D
Ausência de Som
Eu penetro no vazio
Me disseram que é bom

Francês
Comment tu t'apelle?
Je veux connaître ton nom
Ta existence es belle...

Mãe
Eu te sinto forte
mesmo que tu estejas morta
Ainda és meu norte

Rárárá
Vou dizer pro pai
que agora mesmo aprendi
A fazer haikai

terça-feira, abril 17, 2007

Diário de Três - Curta Metragem










Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=UC3MD6zqWV0

Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=Jd9T1fDYKls


Aconteceu assim...

Tudo começou quando eu cheguei pra Andrea e disse que estava caçando idéias para produzir um filme pro Cineceará, então, ela , por favor, se tivesse uma... .... .... No dia seguinte ela me chegou com uma. Uma conversa de fazer um fime sobre três amigas que escreviam diário e... E sentamos pra definir as reticências, pra escrever o roteiro, pra planejar a parte operacional, enfim. Tivemos que bater perna, comprar coisas, arranjar outras. Contar com os amigos foi fundamental. Foi indispensável que eles ouvissem nosso clamor, acatassem nosso aperreio, suportassem com humor nosso amadorismo e empolgação infantil de produzir o primeiro filme. Mais uma vez e para sempre, agradecimentos a todos. No mais é dizer que o roteiro é uma coisa e o filme é outra que tem uma rara semelhança; o roteiro foi uma linha inspiradora de sentido, porque na nossa imaginação tudo é bem mais iluminado e possível do que quando nos deparamos com as limitações técnicas dos equipamentos e softwares que tinhamos disponíveis. Mas, apesar de trabalhoso, é muito mais gostoso fazer um filme; tanto quanto é bom realizar coisas nas quais se mobilizam diversas pessoas de diferentes vértices em torno de um objetivo comum, e de graça. Um suspiro satisfeito.

quinta-feira, abril 12, 2007

Arrumando as coisas

Ontem, antes de dormir, sentei na cama com minhas lembranças. Minhas lembranças cheias de poeira, resistindo ao tempo. Minhas lembranças que em arrumação, separei do lado das que eu não queria jogar fora. Ontem me sentei para ser só delas, e sabia que iria chorar...

Reli bilhetes de paqueras que me fizeram rir e cartas de amores passados eternos que me encheram os olhos d´água. Mexeram mais comigo do que quando as recebi, fazem pensar na efemeridade das mais belas coisas. Por exemplo, o amor. Será o amor uma rosa, que é belo enquanto dura e cheira mais forte quando murcha? “As flores tem cheiro de morte e a dor vai fechar esses cortes”.

Encontrei uma receita de óculos de há menos de um ano atrás, e já faz tempo que acho que tenho que aumentar tanto este grau. Estou ficando cega, sim, estou ficando ceguinha. E não é bom ver embaçado o rosto de quem acena pra você na rua.

Uma redação feita em conjunto, em exercício criativo, por amigas da faculdade que seguiram seu rumo; e no parágrafo de cada uma sobre uma história boba está implícito explicitamente seu modo de ser...

Ô Nostalgia! E o que vejo agora são os “santinhos; do vizinho que me paquerou, o da mãe da minha amiga Giovana...como eu sinto como ela. Sinto?Ah, mas há sim uma irmandade nesta orfandade...

Uma carta do meu segundo irmão, não assinada, pra nossa mãe depois de morta. Sim, uma surpresa, uma surpresa! Ele, sempre tão calado, tão alheio...ele sentiu, ele é bom. Ora, ora... “um dia verei você de novo mãe, aí nesse dia vou lhe abraçar, beijar, brincar até a eternidade. Te amo!” . Eu também mãe, eu também.

Eu sou um grito de socorro...

Não, minha mente não pode parar,

Se se aquieta eu me surdo

Porque eu sou um grito de socorro

Eu fui uma adolescente de 15 anos num convite de aniversário, de boné azul pra trás, jeans e tênis. Me achava tão bonita, tão rebelde! O meu nariz era do mesmo tamanho...o que se fez de mim? Uma dedicat´ria tão maravilhosamente linda eu leio que me fizeram, e na minha festa eu fiquei encabulada. Nove anos atrás eu queria fugir, por pensar estar “pagando mico”. Porque só é depois que estou vendo a beleza de tudo...


Pare de me amar só quando estou dormindo e me olhe de uma vez nos olhos à luz do mundo. O som da TV é alto e me incomoda.


E as fotografias, as fotografias, as fotografias...Eu preguei mais lembranças na porta do guarda-roupa.

domingo, abril 08, 2007

sábado, abril 07, 2007

Meu sonho de hoje

No meu sonho de hoje, as pessoas estavam presas em espelhos que estavam anexados a uma parede negra. Os espelhos eram retângulos que não lhes abarcava o corpo todo, de modo que eu, ou via as pernas, ou as mãos, ou as costas; mas nunca o rosto de quem estava do lado de lá. Sim, era gente minha, conhecida, e , da parte que se mostrava, eu via que continuavam a exercer suas atividades corriqueiras. Não sabiam que estavam presas. O reflexo das pernas da Cecília mostrava que ela continuava a correr tentando emagrecer. As costas engomadas do vizinho seguiam para o trabalho em busca de dignidade e dinheiro. Óbvio, ninguém me ouvia, por mais que eu quisesse, por mais que eu gritasse. Até porque espelho não escuta e até nos sonhos há que haver um mínimo de lógica. Mas a parte mais inquietante foi quando, em meio às paredes escuras e espelhadas, surgiu você real. Foi quase um alívio, que não se concretizou porque quando tentei falar contigo você virou “de cera”. E quem mais, porventura, surgia no meu sonho; se eu olhasse com ânsia comunicativa, virava pedra. Demorou pra eu acordar, pra eu escapar...como se eu, que era e sou sonha do sonho meu, ficasse nele enclausurada. Como se ele fosse meu espelho. Ainda bem que não acordei “de pedra”.

Acordei pedindo pra que você não me deixasse, não me deixasse mais dormir. E você só me diz que foi só um sonho. Eu ofegava e você reduz minha irrealidade a uma questão de eu saber controla-la ou não. Eu te peço que me ensine; e a gente combina sonhar o mesmo sonho e controla-lo da mesma forma, na mesma noite, na mesma cama, depois daquela hora. E a gente vai sonhar junto, só pra ver o que acontece.