quarta-feira, janeiro 24, 2007

Ter ou não ter namorado, eis a questão

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Artur da Távola

quinta-feira, dezembro 21, 2006

...

De que adianta te escrever coisas românticas
se vocêquando as ler
vai pensar racionalmente?
Porque, então, me desmanchar em doces e eternas declarações?
Se você vai querer
verificar-lhes a aplicabilidade em qualquer situaçãoa qualquer tempo...

Pra quê juras?
Se vai tentar espremer minhas apaixonadas palavras
Até conseguir deixá-las secassem uma gota sequer do mais puro amor...

Um eu te amo hoje lhe basta
É tão suficiente que quase transborda
E tenho que ficar me contendo
sem querer
sem te dizer os exageros que preciso dizer
só porque ninguém sabe o que no futuro será verdade sobre nós

Não, eu não mesquinho amor
só de tentar me dói

Delimitar? Não! Des-limitar...

Quem nunca pareceu um absurdo para si mesmo ao olhar para trás? Que eu sou esse no passado? No futuro vou me achar ridícula agora? Ou vou achar que era feliz e não sabia?


Sim.É um erro achar que qualquer coisa se esgotou, que qualquer um é o que é. E pronto. A pessoa que você mais conhece, o tempo muda, e é seu dever reinterpretá-la. Porque se não.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Ô Mãe ...

Mãe
Cadê tu?
Pra me dizer
O que fazer

Pra me fazer obedecer

Que hoje é ruim
Ser livre e jovem

Cadê tu?
Pra me mandar
E eu fazer o contrário

Pra eu me danar
E sentir prazer de desafio

Pra eu supor escolha
E achar bom viver

Que ser jovem é tudo poder!

Ô Mãe
Mas isso é mentira

sábado, novembro 25, 2006

quarta-feira, novembro 22, 2006

Esperamos que passe ... ou não

A tendência das coisas é essa : vão inflando, subindo, expandindo, enchendo o saco, ficando extremamente boas; até atingirem um pico; daí em diante declinam.

O "x" da questão é saber identificar o tal do pico.


tou achando meu pico altamente maleável . Argh!

segunda-feira, novembro 20, 2006

Papo filosófico

Será a liberdade , como quer Sartre, uma condenação inerente à vida _ nascemos livres e até escolher não escolher é uma escolha_

Ou

Será que a liberdade é apenas o desconhecimento das causas que nos levaram a agir determinada maneira, como diz Spinoza?


...são questionamentos que retornam inesperadamente em uma noite de domingo, quando não se faz o de sempre, quando se conhece gente nova, e gente boa. Questionamentos que não eram pra vir agora, e não se pode deixar pra depois.


?

terça-feira, outubro 31, 2006

Te amo tempo

Estivemos distantes. Ele bem que me procurava, mas eu o evitava. Não queria saber de conversa. Não queria percebê-lo. Queria esquecer sua existência. E assim o fiz, mesmo que ele estivesse sempre à espreita. Ignorei-o. Nos encontramos a pouco, por acaso, no espelho. Foi esperto em sua forma de se reapresentar. Estou completamente apaixonada pelo tempo de novo.


E quando for tarde eu já fiz o que era pra ser. Eu sei.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Não sei o autor

Quero

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas
até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre,
isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor saltando da língua nacional,
amor feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:Eu te amo,
inexoravelmente sei que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Cumprindo

Prometeu a si mesma que só tornaria a escrever quando fosse bom novamente. E quando resolveu, escreveu bem assim :

" Eu só busco o meu bem desde então. Não que eu faça isso às custas do mal alheio. O que eu digo é que não vou mais procurar atingir algo que considero bom pra mim utilizando mal os métodos. Os fins não justificam os meios. A minha felicidade eu crio dentro de mim, pra externar. E não hei de ser o que os outros querem, e sim o que eu "

quarta-feira, outubro 04, 2006

Escolhas

A sua escolha, qualquer que seja ela, deve ser suficientemente BOA<> RELEVANTE; para justificar a não-escolha de todas as outras alternativas.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Oração dos Estressados (Luís Fernando Veríssimo)

Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar,
coragem para mudar as coisas que não posso aceitar,
e sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tiver que matar por estarem me enchendo muito o saco.
Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje,
pois eles podem estar diretamente conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.
Ajude-me, sempre, a dar 100% de mim no meu Trabalho:
12% na segunda-feira,
23%, na terça-feira,
40% na quarta-feira,
20% na quinta-feira,
5% na sexta-feira.
E, ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim...,
e todos parecerem estar me enlouquecendo...,
que são necessários 42 músculos para socar alguém, 1
7 para sorrir
e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo tomar no ...
Que assim seja, Amém......

domingo, setembro 24, 2006

David 24h

Quando eu acordar
eu quero David em pasta pra escovar os dentes
e grãos de David para pôr no café
quero dirigir o David quando for pra aula
entrar no David ao abrir a porta
por o David nos olhos pra enchergar melhor
e estudar o David todinho em milhares de páginas

Eu quero olhar pros ponteiros do David enquanto o tempo passa

Quero mastigar o David ao meio-dia
e engolí-lo com a ajuda do David em forma líquida
Ao ligar a televisão, assistir o David
Ao ligar o som, escutar o David a cantar
Acessar o David inteiro no infinito da internet

Eu quero continuar olhando pro David enquanto o tempo passa

Porque a noite
Eu quero me banhar de David
Vestir o David pra ficar bonita (pro David)
e passar o David na pele pra ficar com cheiro seu

Eu quero olhar pro David enquanto o David não chega

Mas graças a Deus que não é assim
bem do jeitinho que eu quero
Porque, em sendo, eu já já enjoaria do David
E só ia querer o David pra por num envelope e mandar pro fundo do mar
até ele dissolver todinho

É bom do jeito que é
Tendo um David só
Mas em carne e alma
Toda vez que ele me chega
pra eu amá-lo


inteirinho

quinta-feira, setembro 21, 2006

O Amor , segundo Paulinho Moska

"Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento, relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor, chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado, mas é exatamente o oposto. Para mim, que o amor se manifesta, a virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado, o amor está em movimento eterno, em velocidade infinita, o amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido. A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com inicio, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo. O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha, como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo. O amor, eu não conheço, e é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita, ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto"

quinta-feira, setembro 14, 2006

Porque que tem gente que teima? Eu não gosto do q ouço e ainda faço aquele sorriso amarelo...pq q eu acho q tenho q ser sempre tão boazinha? Assim vou acabar explodindo por dentro.

Contar até 10. Contar até 10.Contar até 10.

No dia a bomba bombar eu não me responsabilizo.

terça-feira, setembro 12, 2006

Pesado elo

Eu me lembro mais do que senti do que do sonho em si. Eu senti muito medo. Acordei gritando pelo meu pai. No sonho eu tentava alerta-lo para não deixar Deus ir embora. Deus tinha vindo nos visitar, saíra de um elevador que abria as portas dentro da nossa casa. Entrou com uma humildade imponente e eu estava deslumbrada com sua presença, quase não falei. Ele trouxe consigo uma linda garotinha de cabelos longos que encheu o ambiente de alegria, e que agora interpreto como sendo uma espécie de anjo. Sei que gostei da menininha instantaneamente e me distrai com seu sorriso enquanto Deus contornava o corpo de minha mãe, como fazemos quando passamos um lápis em torno da mão. Depois ele cruzava a porta e se ia com ela, deixando só seu desenho na parede; e eu lá brincando com a menininha angelical. Até que escuto o estrondo forte e metálico da porta do elevador a se fechar. A criança se desintegra, e vejo meu pai chorando, e vejo o desenho, e compreendo o que havia ocorrido. Deus tinha ido embora. Eu tinha muitas perguntas a Lhe fazer, mas Ele tinha ido embora. Além de ter trazido um anjo para me fazer calar de encantamento e não Lhe questionar como eu queria, Ele havia também levado minha mãe para si. Ele me engara inescrupulosamente. Eu senti raiva. Raiva por ter sido tola e caído em Seu golpe baixo, raiva por Ele ter levado minha mãe, raiva por Ele ter me evitado sentir a dor da perda no instante que ela acontecera, raiva por Ele ter usado um anjo pra burlar minha atenção. Raiva. Raiva. Raiva. Deus não era confiável. Mas era poderoso. Foi então que subitamente me veio o medo. Eu senti de todas as formas que Ele ia levar os braços do meu namorado, dos meus amigos, dos meus irmãos, do meu pai. Ele sabia que eu O estava julgando naquele momento e ia tirar dos meus amores a capacidade de me abraçar. Era meu castigo. Eles estavam vivos, mas seus braços ficariam para sempre relaxados e inertes ao longo de seus corpos. Eles seriam punidos por minha causa! Ele estava os desenhando a todos e eu ia ficar sozinha. Ninguém mais via aquilo?Ele precisava voltar. Então eu gritei, sufocada, gritei até conseguir acordar; e respirar. Meus amores ainda me tinham em seus braços.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Está na hora de eu analisar a mim mesma. Não acho que precise de alguém pra me dizer que eu gaste dinheiro com remédios se não conseguir resolver o que eu chamo de problemas. É divertido poder assumir o comando.



ALgumas pessoas vão ler isso. Algumas vão levar muito a sério. talvez eu apague. :-)

domingo, setembro 03, 2006

“É só o amor que conhece o que é verdade”

Plena, é assim que me sinto agora. Como se nada me faltasse. Como se eu jamais tivesse duvidado da existência de Deus. Como se a verdade tivesse se despido sem vergonha na minha frente, com um sorriso tranqüilo e sem a malícia de me culpar com o olhar por tantas vezes eu ter sido tão tola. Porque ela podia, bem que podia me discriminar ou ter me dado um belo tapa na face pra eu acordar, mas não o fez. Preferiu vir serena e me fazer chorar não de dor e sim de alegria. Plenitude. E agora me é tão nítida a essência das coisas _ passamos um pelo outro e a gente não se esbarra, se cumprimenta. Penso nas tantas coisas sem sentido e sem retornos nas quais nos apegamos buscando consolo, só porque nos falta amor. Não, amor nunca falta, o que nos falta exatamente é a capacidade de se deixar amar sem máscaras de amar apesar (e através) de todas as coisas. Hoje vejo as pessoas passando em câmera lenta, com suas faces que carregam as mais diversas expressões e consigo perceber quem afunda e quem voa. Porque o mundo é cruel e difícil e é preciso carregá-lo como um fardo para ele não ficar zangado e não lhe maltratar mais. Porque, já que o mundo é cruel e difícil, vamos fazer-lhe o favor de não perturbá-lo com tantas pisadas; e sim tratar de lhe jogar do alto muito afeto, como se fosse chuva, pra ele sarar.

“O mundo tá muito doente”

Gostei quando ouvi alguém dizer que acorda todo dia como se fosse de propósito. Inversão inteligente. Estou acordada, quase todos dormem. Alguns roncam. Mas não adianta fazer barulho; a cada um, uma hora, a verdade irá beijar.

quarta-feira, agosto 30, 2006